Mídia

Yu-Gi-Oh! Duel Monsters, medos e a crucificação no jornalismo

Percebo que não foi tardiamente, mas foi assustador.

Em Yu-Gi-Oh! Duel Monsters existe um mundo mágico com pessoas possuídas por antigos espíritos do antigo Egito. Esses espíritos era pessoas disputavam a vida em jogos de cartas, e quem perdesse era enviado para as trevas. Depois de milhares de anos, jovens, encontram os objetos (relíquias do milênio) onde esses espíritos estavam aprisionados e passaram a dividir seu corpo com eles. Esse acontecimento levou a volta do jogo de cartas. Yugi Muto, o personagem principal herdou a relíquia mais poderosa, que aprisiona o antigo Faraó e quem venceu o antigo jogo. Com o tempo, vários que possuem outras relíquias tentam vencer Yugi e seu espírito para se tonar o novo Faraó e pregar o caos e destruição no planeta.

Claro que isso é um completo absurdo e não existe. Mas claro que se pode ligar, a toda magia de Yu-Gi-Oh! com o cotidiano. Por incrível que pareça, mas sim.

Sempre paro para pensar nos assuntos do momento e questiono sempre até onde devemos dá moral para ele. O caso de racismo foi o do momento e levou todos a pensarem (várias coisas), criarem opinião, e julgarem a pobre garota. Não que ela não mereça o que está acontecendo com ela, mas se a câmera focasse outra pessoa, um idoso, um garoto de 12 anos, ou até um negro gritando macaco, ele que estaria na situação que a Patrícia está. Aí que surge a crucificação. Principalmente no jornalismo. Na tarde seguinte após o jogo, contei que o vídeo dela passou mais de 200 vezes em diversas emissoras que passei. Me assustei com o excesso de exposição que ela estava sofrendo. Poderia ser vital para ela, já que existe vários inconsequentes que se acham justiceiros. Aí que percebi que esse é um dos papéis do mundo jornalismo: crucificar. Sempre tive uma opinião forte e direta. Vivemos em um meio cheio de regras. Quando não à seguimos, corremos um grande risco de sair do anonimato para ser crucificado. É simples.

O que mais me intriga é porque os meios de comunicação fazem isso? Por que dá tanta audiência nisso? Por que o ser humano gosta de julgar o semelhante? Isso são perguntas para sociologia. A verdadeira questão que me fez escrever este textículo foi: até onde vou para conseguir o que fui mandado? Será que também vou crucificar pessoas?

Para minha surpresa, me surpreendi com a resposta. Aí que volto ao anime. Em Yu-Gi-Oh! Duel Monsters até o espírito do Faraó que habita o corpo de Yugi precisa ser controlado pois ele poderia fazer mal a alguém. Sinto que um espírito dentro de mim também faria a mesma coisa. Ultrapassaria limites de ética, pisaria por pessoas, infringiria regras, para conseguir algo. E esse é meu grande medo. Mas assim como o pequeno Yugi Muto controlou o espírito e eles começaram a trabalhar juntos para vencerem o mal, também posso controlar o meu.